Poucos dias antes, grande amiga contou que havia sido convidada para o desfile da Carnan e que seria no caminho de Niterói. Pedi para ela perguntar à RP da marca se poderia levar uma acompanhante e em caso de negativa, pedir um convite para mim.  

Sexta-feira de manhã o dia tomou outros rumos com a notícia que meu nome estava na lista. Animada, comecei a pensar no que vestir. 

Esse foi o desfile número 01 da marca de moda, filha de Paulo Carneiro e Breno Fernandes, tem 8 anos de vida. Loja física única em São Paulo, cidade natal de um, já Niterói é a casa de outro, respectivamente.

Carnan apresenta a coleção Verão 27 titulada de curvas é feito todo o universo, em colaboração com Niemeyer. Referências ao trabalho do arquiteto Oscar N. são sofisticadas e perceptíveis. Sinuosidades para todos os lados, agradáveis para quem vê o mundo com olhar amplamente arredondado. 

A direção de arte do evento foi assinada pelo estúdio super+br, da dupla de arquitetos Moana Reis Faria e Bernardo Berbari. Eles contam:

“Uma pergunta guiou todo o processo: o que exatamente esta coleção veste? Mais do que edifícios, curvas ou imagens reconhecíveis do modernismo brasileiro, entendemos que ela veste um imaginário, a memória viva da nossa história arquitetônica, a curva livre das montanhas, a monumentalidade dos vazios e a sensualidade dos corpos.

Isso porque moda e arquitetura fazem, em escalas diferentes, a mesma coisa: desenham o corpo, constroem percepção, coreografam movimento. Existe uma linguagem espacial brasileira que atravessa arquitetura, corpo, cidade e moda, e Niemeyer é uma de suas expressões mais potentes. É uma arquitetura que não esconde seu sistema, que exibe a estrutura como forma, e que consegue a proeza de tornar leve e fluido um material rígido e frio como o concreto armado. Ele nunca precisou de excesso para criar impacto: uma linha, um vazio, uma curva isolada ou uma superfície branca já produzem monumentalidade.” 

“Nunca quisemos usar a arquitetura como cenário; quisemos transformá-la em percurso.”

Valentina Herszage veste Carnan

Por não possuir, ainda, nenhuma peça da marca, usei algo que conversa com sua identidade visual. Vestido longo creme de material que ajusta naturalmente ao corpo, salto laranja como ponto de cor, cinto-pochete de camurça para romper com feminilidade e somente óculos escuros de acessório.

Música ao vivo da Orquestra da Grota fez absolutamente toda a diferença na construção do espetáculo. Começaram tocando Calibre de Lô Borges.

Tecidos plissados. Inevitável remeter ao trabalho de Issey Miyake. Foi a dança que inspirou o estilista japonês a desenvolver seus primeiros trabalhos com pregas, depois de criar figurinos plissados para bailarinos.

I. M. acreditava que o trabalho do designer é criar roupas usando materiais que dão liberdade de expressão e geram bem estar àqueles que vestem.

Bolsa faz referência a praça da Apoteose.

A Carnan buscou trazer sobreposições potentes com peças simples. Vestimentas que se moldam e ganham outras formas de acordo com o movimento do corpo, do vento, também pela aplicação de amarrações, dobras ou camadas.

Na passarela estrearam os primeiros calçados desenvolvidos exclusivamente pela Carnan.

Recortes no cós fazem menção aos Arcos do Palácio do Itamaraty.

Gola do suéter inspirada na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, de Brasília.

Estampa do vestido vem de rascunhos feitos pelo Oscar e seu neto Paulo Niemeyer.

Chico Dufraisse

Ótima paleta e combinações de cor, ainda mais a olho nu, nas diferentes texturas.

Laranja salmão em couro, verde escuro camurça, pouquinho de preto, vinho e creme com algo de brilho.

Amarelo caramelo na textura de camurça, azul claro, marrom canela, azul jeans, toque de verde grama.

Verde abacate, marrom escuro, marrom claro e cinza grafite em tricô.

Marrom chocolate acinzentado e verde abacate claro em camurça.

Creme, azul céu e branco em couro.

Azul marinho e azul bebê.

Vermelho e creme ou branco.

Tênis roxo da colaboração com a Asics com cadarço amarelo gema.

Aplicação de bordado fino e contínuo na frente e nas laterais de calças e shorts foram detalhes marcantes.

Uma coleção totalmente prêt a porter e isso a faz sedutora. Roupas mais simples do que as pessoas que as vestem, talvez.

Senti falta de modelo com corpo cheio de curvas naturais. Para amarrar o título ao casting.

A celebração foi mais tarde no Copacabana Palace.

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